Dormimos em camas, sentamos em cadeiras, usamos roupas
e andamos calçados.
Ultimamente prega-se o desapego material, um não aos excessos
criados pelo consumismo. Mas e os valores sentimentais que
colocamos neles?
A saudade é muito dolorida e presentes costumam representar pessoas.

Aquele anel que ganhou do seu pai, o brinco normal que seu irmão escolheu
com sua mãe, a presilha que sua am
iga achou sua cara. A camiseta bregaque alguém trouxe de Fortaleza.
Andar com esses objetos ou simplesmente olhar pra eles me faz estar com
essas pessoas, mesmo quando elas estão tão distantes.
Minha casa é cheia de papel.
Eu tenho um milhão de roupas.
Muitos tênis entulhados.
Brincos sem par.
Sou rodeadas de coisas,
sou bagunceira.
E cheia de significados.